sexta-feira, 29 de maio de 2009

Incógnita

Hoje comprei um livro. Não era o que eu queria, só que a autora é a mesma; talvez seja bom também.
Na volta para casa li algumas páginas. Estou doida para saber o que dizem todas as outras.
Ele está ao meu lado e as letras agora olham na minha direção mas nao sei porquê deixo os livros pra depois e acabo sem terminar de ler.
Algumas historias ha tanto imagino como ficaram no final...

terça-feira, 26 de maio de 2009

O homem do saco

Acho que hoje eu estou mais feliz.
A angustia passou. Sempre passa...
A única coisa que não foi embora é aquele sono, mas amanhã estarei melhor dele também.
Hoje o Léo da minha sala me passou umas músicas do Nando Reis, e na volta pra casa eu vim escutando, dentro do ônibus. Foi legal, eu gosto de ver as coisas acontecerem ao som de alguma coisa "viajante".
Ontem por exemplo fiquei até mais tarde no colégio, pra assistir uma palestra do diretor da emescam, uma das melhores faculdades de Vitória — e mais caras também — ele dizia como é ser médico, e depois dedicou um tempo à responder perguntas, mas demorou até que o doutor percebesse que os alunos do preparatório para medicina queriam apenas uma resposta: Ficariam ricos?
Enfim... Chegou uma hora em que me deu vontade de explodir, e nessa hora eu levantei e fui embora. Já estava anoitecendo; mas eu disse tudo isso apenas para fazer uma observação. Na volta pra casa ao som de Cartas Para Você; NX Zero (era o que estava tocando na Jovem Pan) vi uma cena que não sei porquê, me chamou atenção. Era um homem de meia-idade, barba grande e branca como seus cabelos crespos e muitas sacolas nas mãos. Ele atravessava a rua movimentada com muita calma, parecia pobre e sozinho.
Creio que naquelas sacolas de algum tipo de fibra — como saco de ração para cachorros grandes — estava seu trabalho do dia, o que provavelmente é fruto do lixo de varias outras pessoas (acho que não do meu, porque eu moro longe dali). A música falava de um homem que sofria por alguma promessa de amor não cumprida, e por alguns instantes era como se o cara do lixo estivesse desabafando comigo.

domingo, 24 de maio de 2009

independência



o dia acabou
e o doce acabou
a noite chegou
mas a festa acabou
o vestido sujou
a bebida acabou
o meu salto quebrou
ainda ca eu estou
mas a festa acabou
minha festa acabou
e eu nao sei o que fazer

parte III

Formou-se um aglomerado de pessoas e nesse momento tantas vozes me disseram o que havia acontecido. De traz das cortinas pude escutar aquela bufada e logo depois:
- Esse vagabundo "tava" dentro da minha casa.
Mais gente ia chegando e um homem com a camisa na cabeça olhou de perto aquele rosto escuro ignorando alguma coisa que transformava a reação dos mais curiosos, eles arregalavam os olhos mas esse homem reagiu gritando:
- É ele!
O proprio havia assaltado o restaurante de uma senhora da rua, alguns dias atraz. Quebrou vibro, fez o maior estrago e apezar da tentativa nao conseguiram alcança-lo a tempo. Mas não foi problema, visto que era a oportunidade de faze-lo pagar por mais aquilo. Recomeçaram os chutes.
Uma voz delicada pediu mais uma vez que o poupassem, a policia ja havia sido acionada e o barulho daquela violência foi abafado por um grito de protesto. A indignação falou mais alto no ouvido do garoto que sem poder bater mais disse bem alto:
- Policia? a quanto tempo estamos esperando por eles? Policia... se dependesse da policia esse vagabundo ainda "tava" roubando.
E o ladrão continuou no chão, deitado para nao correr, porque ele ja havia tentado escapar. Mas eu queria ver seu rosto com nitidez então aproveitei a tregua e fui correndo pegar meus óculos que estavam no quarto.

sábado, 23 de maio de 2009

parte II

esta noite nao precisei ligar a televisão para ver o que acontece do lado de fora, esta noite aconteceu aqui dentro.
2:20 :
- Não "foi" eu não, não fiz nada, não "foi" eu, não, não. Não me mata, eu não fiz nada.
Era uma voz tao escrota! A principio me deu raiva, vontade de mandar aquele retardado calar a boca, mas eu me dei conta do que se tratava. Tive vontade de correr à janela, e logo a vergonha me amarrou na cama, por uns segundos me senti uma desocupada mas esse pensamento passou rapido e eu fui correndo até a janela da sala.
eram uns dez, dez garotos batendo em um... Mas os dez eram os heróis da situação. O ladrão foi pego enfim e os garotos estavam apenas se vingando. Cada chute revelava a intensidade da raiva de cada um ou a vontade de aparecer para os amigos, nao sei... Mas todos os chutes eram muito fortes.
Bateram até cansar, e bateram mais um pouco, e os vizinhos viam calados enquanto sentiam a boca salivar também, eles também se vingavam, eles gostavam mas a regra de boa conduta restringiu o momento a instantes e logo pediram piedade ao rapaz.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

parte I

Olhos que se encontram. Olhos que se escondem atrás do que antes me pareceu ser tanta personalidade, tanta força, tanta coragem... Esses mesmos olhos se encontram em silêncio como quem espera o momento passar para expor a sua opinião/reprovação.
Ele sai andando normalmente, parece não sentir frio nem dor, parece não sentir medo, raiva, parece não pensar em nada... As lágrimas já não escorrem mais, e se não fosse o sangue chorando seria como se nada tivesse acontecido.
Os guardas expressam desdém, os olhos, o espanto de quem esperava ver “algo” acontecer. Mas ele, os seus olhos nada expressam, estão apenas vigiando os paços desta noite.
Aquele silencio me perturbava, era o eco dos questionamentos se atropelando dentro de cada corpo quente.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

saudade de casa

agora me sinto cheia, cheia de tanta coisa.
cheia de massas, cheia de doces, cheia de suco, salgado, remedio
e por incrivel que possa parecer, agora me sinto mal
incrivel eu digo, porque antes disso eu estava por demais vazia
estava com fome(ja havia comido), estava com sede(com a garrafa de agua nas mãos), perguntei se alguem ja teve essa sensação estranha...
e acharam isso muito estranho!
nao sabia o que fazer se não continuar me enchendo de tanta coisa
mas agora estou cheia e mal, porque não deu certo.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

aprendendo a falar

Sonho sempre que estou grávida, acho que isso faz parte de mim alem do que impõe a natureza. Parando pra pensar eu acho que quero muito da vida. Quero passar no mais concorrido dos vestibulares, encontrar o marido ideal, ter filhoS, quero tudo, e se algo me faltar acho que não serei feliz.
Quero muito da vida, mas acho sinceramente que mereço. Carolina me diria que isso não passa de mais um defeito meu, mas eu sei lidar com os meus defeitos e sei correr atrás do que eu posso, não é atoa que leio todos os dias palavras que não me interessam, e escrevo números que mais tarde atrapalham meus sonhos, à noite...
Mas a questão a ser discutida é a citada lá em cima: sonho sempre que estou grávida.
Tenho uma redação a fazer, portanto precisei refletir sobre o tema que a principio me pareceu tão familiar, mas estranho... eu nunca havia pensado em como educar meus filhos. Nem eu nem muitas das crianças que em face ao primeiro amor – ou primeiros – encontram na maternidade a solução para os seus “problemas”.
Digo isso porque faz parte da minha realidade. Quantas vezes já me imaginei com meus filhos ao lado daquele garoto tão especial? Talvez o número seja proporcional à quantidade de “homens da minha vida” que conheci nesses cinco anos de adolescência.
Acontece que esses anos passaram e com eles um pouco daquela ingenuidade que nos traz ao mundo, mas que aos poucos abandona a gente, e deixa o pepino com a realidade, só que mesmo assim me peguei pensando no assunto. Como eu ainda não havia pensado nisso? Acho que ainda existe mais dessa infantilidade em mim do que me parece.
Com certeza isso explica alguns partos, algum nascimento de alguma família condenada ao insucesso, mas quais seriam os motivos de tantos outros primeiro choros? Quais seriam as outras realidades tão longe da minha? Quais?
A meu ver essa é uma reflexão essencial para a redação, afinal, como criticar uma realidade que não me cabe?

domingo, 17 de maio de 2009

aham

sexta-feira, 15 de maio de 2009

anatômico

sistema, sistema, sistema de verdade.
sistema , funciona enquanto pode, enquanto da. sistema funciona enquanto tudo funciona. e se há algum defeito deve saber alguém curar?
curiosa vaidade

quarta-feira, 13 de maio de 2009

treze do dois meses depois

Hoje senti vontade de escrever... senti vontade de ler, pensar, de passar algum momento entregue à ele próprio. Hoje senti vontade de rir no meu mais profundo individualismo.
Na volta pra casa pensei em algo para escrever, um momento do dia, uma figura... mas nada de importante me veio à mente, então desisti. Algumas horas depois pensei em como estou feliz, e logo remeti meus pensamentos à alguns meses atrás, quando tudo não passava de planos e o hoje me parecia tão distante.
Hoje vejo como estava despreparada, e o quanto isso foi importante pra mim. Me surpreendo com a quantidade de certezas que me deixaram todas de uma só vez, e eu nem havia percebido. Olho ao meu redor e vejo quanto do que eu julgava absurdo passou a fazer parte da minha vida e quantas das dificuldades fui capaz de enfrentar sem ao menos sentir que estava passando por elas, me parece hoje que não eram tão difíceis assim.
Digo isso hoje, porque ontem foi um dia de tristeza profunda, e só agora percebo que essa tristeza tem outro nome.
Esta sendo difícil para mim aceitar que as maiores dificuldades ainda estão por vir, e que mesmo assim ainda eu me desespero em algumas situações.
Hoje tenho a maior insegurança em dizer o que penso, já que a única certeza que me cabe é a de que em algum momento posso me contradizer. Já pude sentir o significado de que não importa o quanto eu tenha vivido, sempre existe um outro ponto de vista.