sábado, 22 de maio de 2010

Enfim [parte 2]

Foi quando um reflexo me levantou as pálpebras, levando meus olhos ao chão, perto da porta de entrada da quitinete, e lá estavam as suas letras decorando a camurça daquele papel pardo.
Por um instante vacilei, ficava imaginando o conteúdo daquelas palavras tão bem guardadas pelo lacre. O que poderia ser se não desastre? Há tanto não me escrevia... na verdade nosso ultimo contato foi a muito tempo, quando dei as costas à sua figura não sabendo que não mais a veria durante os próximos vinte e seis anos.
Mas a curiosidade trouxe enfim todas as minhas forças e juntos abrimos o envelope que tudo me explicou, e era simples, ela não me amava. Ou pensava que não, pelo menos naquele momento da sua vida em que um outro alguém (certamente mais elegante e abastado do que eu) declarou à minha rainha todo o seu amor.

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